Durante o encontro on-line “Inteligência artificial, alimento para todos. Diálogo e Experiências”, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida indicou entre as prioridades a desativação da “conexão entre novas tecnologias e estruturas de poder”, uma combinação capaz de “controlar e manipular mercados e democracias no âmbito planetário”.

A vida no seu mistério indescritível, o destino da humanidade e do planeta em que habita são hoje, desafios cruciais para os quais é necessário que “saberes e competências diferentes encontrem espaços comuns, lugares de partilha e confronto”.

Com esta premissa, e com a esperança de que “chegará em breve” o dia em que “ninguém mais terá fome de alimento, assim como de ideias e afetos”, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, dom Vincenzo Paglia, abriu o seu discurso na tarde de quinta-feira (24/09), no encontro virtual “Inteligência Artificial, Alimento para todos” (Artificial Inteligence, Food For All).

Entrelaçamentos virtuosos

O desejo de que “nenhuma vida se perca” ou “seja ignorada” é acompanhado pela consciência e pelo apelo a não marginalizar “nenhuma reflexão humanística” em favor de uma visão científica e econômica totalizante. Corre-se o risco de não “oferecer respostas dignas da vida humana”. Segundo dom Pagia, o caminho a seguir é aquele marcado pelo entrelaçamento de “humanitas e alta tecnologia”.

Outra forma de envolver os sujeitos, que de outra forma poderiam permanecer marginalizados, é otimizar e partilhar conhecimentos científicos, instrumentos de gestão e redução de desperdícios. Por isso, continua dom Paglia, “devemos agradecer a quem trabalha todos os dias para obter resultados tão importantes, especialmente nas áreas do planeta onde a produção e o mercado agroalimentar estão mais sujeitos a riscos climáticos, políticos, econômicos e sociais”.

Proteger

Mas o caminho que leva a não excluir ninguém, também passa pelo cuidado do indivíduo. O presidente da Pontifícia Academia para a Vida sublinha que “a experiência da nutrição nos oferece uma indicação precisa sobre como proceder”. Alimentar “corpos envolve cuidar não da humanidade ou das populações (são nomes coletivos), mas de cada habitante do planeta, de sua absoluta e irreprimível dignidade singular, que é um dom de Deus”. Portanto, está claro o motivo e o significado da seguinte afirmação: “Devemos alimentar a todos, mas nem todos devem necessariamente comer as mesmas coisas. A salvaguarda da diversidade biológica (humana, vegetal e animal) deve estar no centro de nossa atenção.” A alimentação não pode ser considerada um “fato puramente fisiológico”.

Dom Paglia concluiu o seu discurso com um chamado ao compromisso, cada um “de acordo com suas responsabilidades”.

Emanuela Campanile/Mariangela Jaguraba – Vatican News

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